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A arquitetura de hospitais de Irineu Breitman Erick Rodrigo da Silva Vicente
Há poucas publicações dedicadas a documentar a arquitetura dos Edifícios Assistenciais de Saúde (EAS) brasileiros, apresentando projetos de forma a permitir uma maior compreensão de seus aspectos físico-funcionais. Essa questão se acentua com a produção arquitetônica desenvolvida a partir da segunda metade do século XX.

Podemos dizer que houve uma mudança significativa das ideias relacionadas ao projeto de hospitais na década de 1950, motivada pela realização do I Curso de Planejamento de Hospitais, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento de São Paulo (IAB-SP)[1]. Segundo Renato Gama-Rosa Costa, esse evento foi um marco para a consolidação dos arquitetos como "protagonistas do processo de construção dos hospitais, desde a sua concepção até a entrega da obra", completando:

[...] O curso ministrado por médicos e arquitetos para médicos e arquitetos no IAB-SP, durante 6 dias, em abril de 1953, representou um turning point nesse processo no Brasil. O time de professores contava com os grandes autores de projetos hospitalares daqueles anos, como o próprio Rino Levi, Jarbas Karman, Jorge Machado Moreira, Roberto Cerqueira César e Oscar Valdetaro, com uma participação dos médicos na concepção do projeto cada vez mais como consultores do que como co-autores (como no caso do Hospital das Clinicas de São Paulo). Entre os alunos, estavam alguns outros projetistas de hospitais, já profissionais ou ainda estudantes, como Paulo Antunes Ribeiro, autor do projeto da Maternidade Arnaldo de Moraes, no Rio de Janeiro; Aldary Toledo, à época, arquiteto do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários; Arnaldo Mesquita, da Divisão de Obras do Ministério da Educação e Saúde; João Filgueiras Lima, estudante de arquitetura e futuro autor dos hospitais da Rede Sarah; etc. (Costa, 2011, p. 46)

Dessa forma, pesquisar os arquitetos que tiveram intensa produção no campo hospitalar a partir de então, propondo novas soluções e delineando estratégias projetuais que suscitaram em inovações arquitetônicas, seja na organização do programa ou na concepção do espaço, é fundamental para compreendermos as transformações dos edifícios assistenciais de saúde da segunda metade do século XX.

Um desses arquitetos é Irineu Breitman, profissional com sólida produção na região sul do País entre os anos de 1954 e 1998. Ex-professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAU-UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Breitman publicou alguns de seus projetos hospitalares em importantes revistas brasileiras, recebeu diversos prêmios e homenagens, tornando-se conhecido entre os arquitetos que se dedicam ao projeto de instituições de saúde.

Luiz Carlos Toledo ao discorrer sobre a "evolução do edifício hospitalar no Brasil" afirma que Breitman, juntamente com alguns outros arquitetos, possuía "não só um amplo domínio do projeto arquitetônico", mas também "um profundo conhecimento das questões técnico-operacionais das unidades projetadas, principalmente no que se refere à infraestrutura e à gestão hospitalar" (Toledo, 2006, p.27).

Considerando esses fatos, em agosto de 2018, o Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman (IPH) incorporou parte do acervo de Breitman com o intuito de recuperar, organizar e divulgar sua produção. No mesmo ano, entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, o Instituto organizou uma exposição de sua obra com foco nos projetos arquitetônicos de hospitais durante o VIII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar[2]. No processo de curadoria, do qual fui responsável juntamente com Eduardo Kariya Nishitani, foi possível definir uma breve trajetória profissional e identificar alguns de seus principais trabalhos, destacando aspectos interessantes de sua arquitetura. Trabalho que será apresentado a seguir.

Imagem 01: Exposição da obra de Irineu Breitman em Curitiba
Fonte: Acervo IPH


Imagem 02: Exposição da obra de Irineu Breitman em Curitiba
Fonte: Acervo IPH



Breve trajetória profissional

Imagem 03: Irineu Breitman
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Nascido em 3 de junho de 1930, Irineu é natural de Cachoeira do Sul (município do Estado do Rio Grande do Sul) e filho do premiado fotógrafo Sioma Breitman, ucraniano que imigrou para o Brasil em 1924 e que construiu sua carreira fotografando pessoas e lugares das cidades onde viveu.

Breitman, de acordo com depoimento gravado em vídeos[3], contou que seu destino era ser engenheiro civil e professor de matemática, mas o contato com uma revista argentina de arquitetura, apresentada por um colega, mudou seu destino. Acabou se matriculando no Instituto de Belas Artes, atual Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, formando-se em 25 de junho de 1953. Curiosamente, um ano antes de sua formação, assinou o projeto do Colégio Israelita Brasileiro de Porto Alegre, já demonstrando seu grande potencial.

Imagem 04: Irineu Breitman ao lado da maquete do Colégio Israelita Brasileiro
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Ainda na década de 1950, projetou o Hospital Fêmina, que lhe rendeu uma medalha de bronze no VI Salão da Associação Riograndense de Artes Plásticas "Francisco Lisboa" (veremos mais sobre esse projeto a seguir), ganhou o concurso de projetos para a construção do "Lar dos Velhos" e se tornou, pela primeira vez, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, divisão Rio Grande do Sul (IAB-RS, entre os anos de 1958 a 1961).

Imagem 05: Irineu Breitman, juntamente com a delegação do IAB, em viajem pela China
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Na década seguinte, recebeu medalha de prata no I Salão de Arquitetura do Rio Grande do Sul, projetou uma série de casas em Pelotas e Porto Alegre, voltou a ser presidente do IAB-RS (agora entre os anos de 1963 e 1965), tornou-se professor de projeto na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e projetou a Clínica Pinel, destinada ao tratamento de doenças psiquiátricas.

Imagem 06: Residência Isaac Aguinsky , 1963
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Sua produção se intensificou na década de 1970 com a fundação da HOSPLAN, empresa que reuniu diversos profissionais com experiências em projetos de instituições assistenciais de saúde. Nesse momento, teve início a parceria com o médico e administrador Paulo Lindolfo Lamb, que prestava consultoria na área de planejamento funcional, se tornando um importante colaborador na área hospitalar. Em 1974, projetou o Hospital Miguel Piltcher e, em 1977, o Hospital Infantil Joana de Gusmão, exemplares que apontam uma crescente preferência pela horizontalização do programa físico-funcional. Ainda em 1977, passa a lecionar Arquitetura Hospitalar no Curso de Especialização em Administração Hospitalar da Associação dos Hospitais do Estado do Rio Grande do Sul e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, dando início ao trabalho de educação e divulgação do conhecimento na área de arquitetura de edifícios hospitalares.

Em 1978, a HOSPLAN passa a se denominar HOSPITASA. Nesse momento, faziam parte da equipe o Dr. Paulo Lamb (consultor hospitalar), o eng. Paulo Azambuja (estrutura), o eng. Werner Laub (hidráulica e elétrica), o eng. Aldo dos Santos (gases medicinais), o eng. Fulvio Petracco (ar-condicionado), o eng. João Osório (caldeiras e vapor), o eng. Sergio Faerman (proteção radiológica), o agr. Robald Jamieson (paisagismo) e a arq. Ligia Botta (comunicação visual). Irineu, coordenador da equipe e autor dos projetos arquitetônicos, considerava o trabalho multidisciplinar condição importantíssima para se projetar adequadamente um hospital.

Imagem 07: Placa de obra da empresa HOSPITASA
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Em 1979, projetou três hospitais públicos de grande porte no Estado de Santa Catarina: Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt, em Joinville; Hospital Regional São José, na Grande Florianópolis; Hospital Regional do Oeste, em Chapecó. O primeiro é um hospital horizontal que se desenvolve em apenas dois pisos, e os outros dois possuem uma base horizontal e uma torre laminar.

Imagem 08: Irineu Breitman e Paulo Lamb (ambos à esquerda) ao lado das maquetes dos hospitais regionais de Santa Catarina
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Nas décadas subsequentes, participou de uma série de congressos e eventos nacionais e internacionais voltados para a área da saúde, divulgando suas experiências com os projetos de edifícios hospitalares, defendendo o desenvolvimento horizontal e o cuidado para com o conforto físico e psicológico dos usuários. Em 1998, projetou o Hospital Escola para a Universidade de Passo Fundo, juntamente com seu filho e também arquiteto Lucio Breitman; o edifício não chegou a ser construído. Foi homenageado em diversas oportunidades, como no Congresso da ADH em 2004, na Faculdade de Arquitetura da PUC-RS em 2010, e no VIII Congresso Brasileiro para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar em 2018.

Imagem 09: Irineu Breitman (à esquerda) e Jarbas Karman em apresentação durante a "Asamblea de la Federación Latinoamericana de Hospitales", 1980
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Do hospital moderno ao contemporâneo


De acordo com seu currículo profissional, Irineu Breitman projetou cerca de 58 edifícios assistenciais de saúde, entre obras novas, ampliações e reformas. Infelizmente, como é comum a muitos acervos de arquitetura, boa parte dos desenhos e memoriais se perderam ao longo do tempo. Para recuperar, preservar e divulgar sua produção, o IPH recebeu parte de seu acervo arquitetônico, correspondente a 14 projetos desenvolvidos entre 1954 e 1998.

Do material que o IPH recebeu, numa primeira observação, foram destacados 8 projetos, dos quais 7 foram construídos. Esses projetos foram selecionados para compor parte da exposição, pois oferecem um panorama da obra de Breitman.


Hospital Fêmina


Sua primeira experiência com a arquitetura de edifícios hospitalares foi em 1954, com o Hospital Fêmina, construído na cidade de Porto Alegre. Com apenas um ano de formado, Breitman assumiu a responsabilidade de projetar o que se tornaria um dos principais hospitais de Porto Alegre dedicado à saúde da mulher.

Imagem 10: Hospital Fêmina
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Inspirado nos princípios da Escola Carioca, mais precisamente na arquitetura de Jorge Machado Moreira, o projeto propõe uma lâmina vertical suspensa por pilotis com nove pavimentos (térreo, mezanino e mais oito andares), um pavimento inferior permeado por dois grandes jardins e um volume com três pavimentos localizado mais ao fundo do lote. O hospital, que não chegou a ser construído de acordo com o projeto inicial, teve consultoria do arquiteto Jarbas Karman, que provavelmente influenciou no desenho de um espaço técnico destinado a equipamentos e instalações entre o primeiro e segundo pavimentos[4], com pé-direito de aproximadamente 1,80m, fato muito pouco comum para a época e solução amplamente defendida por Karman ao longo de sua carreira.

Os andares dedicados às enfermarias contam com unidades "simplesmente carregadas"[5], com os postos de enfermagem centralizados no pavimento e uma ampla sala de estar/solário destinada ao convívio de pacientes e familiares.

Imagem 11: Planta do 7º, 8º, 9º e 10º pavimentos - Hospital Fêmina
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

O Hospital sofreu muitas modificações internas e algumas ampliações nas áreas vazias do lote, mas ainda preserva boa parte dos aspectos originais do projeto em suas fachadas, como as pastilhas azuis dos pilotis e as cor-de-rosa dos guarda-corpos da torre.

Imagem 12: Estado atual do Hospital Fêmina
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Imagem 13: Estado atual do Hospital Fêmina
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Clínica Pinel


Irineu teve experiências com diferentes programas físico-funcionais hospitalares. Uma delas foi o projeto para o novo edifício da Clínica Pinel, realizado em 1968, destinado ao tratamento de doentes psiquiátricos.

Imagem 14: Clínica Pinel
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


A Clínica Pinel foi fundada em 1959 pelo médico psiquiatra Marcello Blaya Perez. Na década de 1950, o Dr. Perez fez uma viagem aos EUA e Canadá e passou um período de aprendizado no Menninger School of Psychiatry, localizado na cidade de Topeka, estado do Kansas, onde teve contato com uma psiquiatria fortemente embasada na psicanálise. Quando voltou ao Brasil, introduziu seus novos conhecimentos em Porto Alegre. Sua clínica funcionou em casarões adaptados até adquirir um lote com dimensões adequadas e contratar Irineu Breitman para desenvolver o projeto de um edifício adequado para a prática de sua psiquiatria.

O programa arquitetônico propõe duas etapas de atendimento: o primeiro dedicado ao acolhimento, ao ambulatório e ao Hospital Dia, e o segundo, à hospitalização psiquiátrica com foco no controle dos pacientes em surto.

O projeto apresenta duas lâminas perpendiculares com fachadas distintas. A primeira, paralela à rua Santana, possui três pavimentos e é composta de uma grelha cujos fechamentos são recuados e os peitoris revestidos com tijolos cerâmicos; a segunda, perpendicular à primeira, possui quatro pavimentos e também é composta por uma grelha, porém com os peitoris sobressalientes com alturas diferentes e revestidos com pastilhas azul-turquesa.

Imagem 15: Perspectiva frontal da Clínica Pinel
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 16: Perspectiva aérea da Clínica Pinel
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Outro detalhe interessante é o desenho das janelas, executadas em venezianas basculantes cujas distâncias das lâminas não permitiam que os pacientes as atravessassem, dispensando a instalação de grades de segurança, comuns aos hospitais psiquiátricos da época. Houve também uma atenção especial para que os muros e os jardins não gerassem a sensação de enclausuramento. Outro fator de destaque do projeto são os generosos espaços coletivos, como as salas de convivência, com amplas aberturas para o exterior, e as áreas externas de lazer, com piscina e quadra poliesportiva.

Imagem 17: Perspectiva da sala de convivência da Clínica Pinel
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 18: Sala de convivência da Clínica Pinel
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Hospital Miguel Piltcher


As experiências com o "Lar dos Velhos", em 1958, e com a Clínica Pinel fizeram Breitman optar pela "horizontalização" do programa hospitalar com o passar do tempo. O Hospital Miguel Piltcher, projetado em 1974 na cidade de Pelotas, marca a transição entre os conceitos da Escola Carioca e a busca por soluções formais e estéticas que correspondessem mais às questões funcionais dos edifícios hospitalares.

Imagem 19: Hospital Miguel Piltcher
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


O edifício adota uma tipologia mista, definida por Lauro Miquelin como "bloco-torre" (Miquelin, 1992, p.59 e 60), conhecida também por "base-torre". Essa tipologia é muito comum até hoje pois é uma solução que possibilita localizar diversos serviços hospitalares afins no mesmo pavimento. Possui um bloco térreo que abriga os serviços de atendimento ao paciente externo, os setores de diagnóstico, terapia, apoio logístico e administrativo. As enfermarias ficam localizadas nos pavimentos elevados da torre laminar, que se localiza na faixa oposta ao acesso principal.

Outra questão importante de se destacar é o uso de Sheds na cobertura do pavimento térreo. Irineu sempre se preocupou com o conforto higrotérmico e com o conforto psicológico dos usuários. A adoção de um único pavimento para abrigar mais da metade do programa funcional e as dimensões reduzidas do lote (que foi praticamente todo ocupado com a projeção horizontal do edifício) dificultaram a criação de jardins, fator que em muito colabora para a qualidade ambiental. Sendo assim, para proporcionar iluminação e ventilação naturais aos ambientes internos, Irineu desenhou uma sequência de Sheds, executados em concreto armado, dispostos longitudinalmente (paralelos à torre), possibilitando a instalação de janelas altas em quase todas as salas do pavimento térreo. Essa estratégia projetual acabou sendo utilizada em quase todos os seus projetos hospitalares desde então.

Imagem 20: Ambientes internos iluminados pelos Sheds
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 21: Ambientes internos iluminados pelos Sheds
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Hospital Infantil Joana de Gusmão


A preferência pelos hospitais horizontais se consolidou em 1977 com o projeto do Hospital Infantil Joana de Gusmão, instituição pública localizada na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Possui 14.835 m² de área construída e capacidade para até 280 leitos.

Imagem 22: Hospital Infantil Joana de Gusmão
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Esse hospital foi concebido para substituir o antigo Hospital Infantil Edith Gama Ramos, inaugurado em 1964 e primeiro do Estado catarinense dedicado à saúde da criança. Hoje, o Joana de Gusmão é considerado um dos mais importantes hospitais infantis e de ensino de pediatria da América Latina[6].

O edifício é composto por três volumes dispostos paralelamente. O bloco oeste e o bloco central possuem dois pavimentos, já o bloco leste possui três (sendo o primeiro nível destinado a vagas de estacionamento). Enquanto os blocos periféricos possuem níveis correspondentes, o bloco central foi posicionado a "meio-nível", possibilitando a adoção de "meias-rampas" no desenvolvimento das circulações verticais. Essa estratégia, de criar níveis intermediários para possibilitar o uso de "meias-rampas", se tornou importante na obra de Breitman, pois possibilitava a horizontalização do conjunto hospitalar sem aumentar demasiadamente as distâncias percorridas pelos usuários.

Imagem 23: Perspectiva aérea - Hospital Infantil Joana de Gusmão
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 24: Perspectiva das "meias-rampas" - Hospital Infantil Joana de Gusmão
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


A distribuição do programa também contribuiu para a diminuição dos percursos, pois o posicionamento das unidades funcionais considera suas inter-relações. O pavimento térreo (nível 2 dos blocos periféricos) abriga os ambulatórios, a emergência, a radiologia, o laboratório, a neonatologia, a administração e o conforto médico. O primeiro pavimento, que fica sobre o térreo (nível 3 dos blocos periféricos) concentra as unidades de internação. O segundo piso do bloco central (nível 2,5) está posicionado entre os dois níveis dos blocos periféricos e abriga as unidades que atendem todo o hospital, como o centro cirúrgico, a UTI, a CME e as áreas de apoio técnico e logístico (cozinha, lavanderia, almoxarifado, centrais de abastecimento etc.). Sendo assim, para se atingir os setores localizados no segundo piso do bloco central, é preciso percorrer apenas meio lance de rampa.

Podemos notar uma mudança significativa na distribuição espacial das internações em relação aos projetos anteriores. Os quartos estão posicionados praticamente em ambas as fachadas, as áreas de terapia e o apoio técnico estão no miolo do andar e há dois postos de enfermagem, cada qual atendendo cerca de 36 leitos. Essa foi a primeira experiência de Irineu com as unidades de internação "duplamente carregas"[7] e com a descentralização dos postos de enfermagem, estratégias que aparecerão, de formas diferentes, em todos os projetos hospitalares seguintes.

Imagem 25: Planta da internação - Hospital Infantil Joana de Gusmão
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Outro aspecto importante é a criação de diversos jardins. O hospital, além de estar envolvido por uma grande área verde, possui jardins que permeiam os blocos, gerando uma relação intensa entre edifício e natureza, condição que em muito colabora com a recuperação dos doentes.


Os hospitais regionais de Santa Catarina


Mais tarde, em 1979, Irineu e sua equipe da HOSPITASA projetaram três hospitais públicos de grande porte em Santa Catarina: Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt, em Joinville; Hospital Regional São José, na Grande Florianópolis; Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.

Imagem 26: Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 27: Hospital Regional São José
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 28: Hospital Regional do Oeste
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Mesmo que o programa arquitetônico seja muito semelhante entre os três, os projetos possuem características diferentes, cada qual com um partido formal que melhor adequasse o programa à geografia do lote.

O primeiro é um hospital horizontal, com desenvolvimento em dois pavimentos e meio, com pisos desencontrados e conectados por "meias-rampas", muito semelhantes ao Joana de Gusmão. Composto basicamente por três volumes principais, paralelos, as internações e as unidades de atendimento ao paciente externo estão locadas nos blocos periféricos, enquanto o centro cirúrgico, a UTI e as unidades de apoio técnico-logístico estão no bloco central, posicionados a meio nível.

Imagem 29: Perspectiva - Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Os outros dois seguem a tipologia "base-torre", semelhante ao projeto do Hospital Miguel Piltcher. Ambos possuem uma base (volumes que variam de dois a quatro pavimentos) e uma torre laminar (ambas com quatro pavimentos). Os pavimentos que compõem a base abrigam o atendimento aos pacientes externos, as áreas de diagnóstico, as áreas administrativas e os setores de apoio técnico-logístico. Os pavimentos elevados, que compõem a torre, abrigam principalmente as unidades de internação.

Imagem 30: Perspectiva - Hospital Regional São José
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman

Imagem 31: Perspectiva - Hospital Regional do Oeste
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Esses três hospitais apresentam algumas características interessantes de serem observadas. A primeira são as unidades de internação com quartos ocupando as duas fachadas longitudinais, um corredor central, um posto de enfermagem para - em média - 32 leitos e uma variação na distribuição dos pacientes em apartamentos (1 leito), quartos (2 leitos) e enfermarias (3 leitos). Essa variação entre apartamentos e enfermarias gerou quartos com comprimentos diferentes, sendo que os maiores foram estruturados em balanço, conferindo um belo jogo de alternância volumétrica nas fachadas.

Imagem 32: Planta da internação - Hospital Regional São José
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


A segunda é a adoção de porões técnicos sob todo o conjunto hospitalar, suspendendo o edifício do solo, permitindo a execução de instalações totalmente aparentes (não embutidas em lajes ou forros), facilitando o trabalho das equipes de reparos e reduzindo os custos de manutenção.

Imagem 33: Corte do bloco de internação - Hospital Regional Dr. Hans Dieter Schmidt
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Por último, assim como no projeto para o Miguel Piltcher, as coberturas dos últimos pavimentos das bases foram executadas em Sheds de concreto armado para prover aos ambientes internos iluminação e ventilação naturais.

Imagem 34: Cobertura em Sheds - Hospital Regional São José
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Hospital Escola da Universidade de Passo Fundo


A Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF) é mantenedora da Universidade de Passo Fundo (UPF), que oferece diversos cursos de graduação e pós-graduação na área de ciências da saúde, como medicina e farmácia. Em 1998, a fundação contratou Breitman para desenvolver o projeto para seu futuro hospital escola, que serviria tanto para a formação de futuros profissionais quanto para a prestação de atendimento à população, incrementando a rede hospitalar local. O edifício seria implantado no campus da universidade em um lote de 62.573,00 m², totalizando 29.034m² de área construída e possuiria 300 leitos de internação e 47 leitos de UTI. Infelizmente, o projeto não foi executado.

Imagem 35: Perspectiva eletrônica - Hospital Escola da UPF
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Seguindo as premissas do Joana de Gusmão, e muito semelhante ao Dr. Hans Dieter Schmidt, o projeto para esse hospital escola é composto por dois pavimentos e meio, distribuídos em, basicamente, três volumes. A circulação vertical se desenvolve por duas "meias-rampas", a iluminação e ventilação naturais dos ambientes localizados no interior dos pavimentos são feitas por Sheds e o conjunto está suspenso, em sua maioria, a um metro do solo, gerando um grande porão técnico. A distribuição do programa arquitetônico também segue a mesma premissa do hospital em Joinville, com a diferença de que esse é um hospital universitário e a área de ensino e pesquisa se concentra em um edifício de cinco pavimentos localizado a noroeste do conjunto.

Imagem 36: Implantação - Hospital Escola da UPF
Fonte: Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman


Considerações finais


A arquitetura de hospitais sofreu grandes transformações na segunda metade do século XX. A participação mais efetiva dos arquitetos no processo de projeto e construção, a criação das primeiras normas técnicas, os avanços tecnológicos e a criação de eventos dedicados ao ensino e à pesquisa no campo hospitalar ampliaram o debate e proporcionaram grandes avanços de infraestrutura. Conhecer esse processo é importante para compreender melhor o edifício hospitalar contemporâneo e imaginar as instituições de saúde do futuro. A obra de Irineu Breitman pertence a esse período e se transformou ao longo desses acontecimentos. Observá-la, na tentativa de conhecer seus múltiplos aspectos, certamente nos oferecerá informações valiosas para cumprirmos a árdua tarefa de desbravar os conceitos que permeiam os Edifícios Assistenciais de Saúde (EAS) do passado e do presente.

Irineu começou sua trajetória nessa área muito cedo, projetando seu primeiro hospital com apenas um ano de formado, cujo resultado foi um edifício que espelha os paradigmas da Escola Carioca, que foram levados na década de 1940 a Porto Alegre por um grupo de professores formados no Rio de Janeiro e no estrangeiro. Porém, nos projetos de EAS seguintes buscou se alinhar com novos conceitos, investigando minuciosamente o planejamento físico-funcional e as tecnologias mais avançadas, se tornando um pesquisador criterioso e, consequentemente, um importante professor.

São muitos os aspectos que sobressaem em sua obra, desde a sábia organização do programa funcional até sua preocupação com o conforto dos usuários. Com o tempo, as formas de seus edifícios passaram a corresponder a um determinado conjunto de conceitos que buscavam a eficiência operacional, a redução dos custos operacionais, a segurança e o conforto dos usuários, mas sem abrir mão de praticar a arquitetura em sua plenitude, conferindo significado estético e urbano aos seus edifícios.

Não há dúvidas de que Toledo tem razão em destacar Irineu Breitman como um importante nome da arquitetura brasileira de EAS do século XX. Sua obra carece de maiores pesquisas, posto que as observações aqui apresentadas ainda são poucas para se fazer uma avaliação crítica mais profunda sobre sua arquitetura, mas fica claro, quando nos deparamos com seus projetos e escritos, que temos muito o que aprender com o seu trabalho.



Notas

01. O I Curso de Planejamento de Hospitais foi uma realização do IAB-SP e ocorreu em São Paulo, entre os dias 13 e 17 de abril de 1953. Foi organizado pela Comissão de Planejamento de Hospitais, formada pelos arquitetos Amador Cintra do Prado, Jarbas Karman e Rino Levi. No ano seguinte, foi publicado um livro com uma coletânea das aulas e debates. Além da lista de presença dos participantes, incluindo professores e alunos.

02. O Congresso para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (CBDEH) é organizado de dois em dois anos pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH). Atualmente, é o evento mais importante da área de planejamento físico e funcional de EAS e congrega arquitetos, engenheiros e diversos profissionais da saúde do Brasil e do exterior.

03. Depoimento que faz parte de uma entrevista de Irineu Breitman concedida ao Arq. Maturino Luz, gravada em vídeo pela cineasta Flávia Seligman. O vídeo pode ser consultado no Acervo IPH / Coleção Irineu Breitman.

04. Na publicação da Revista IPH, o projeto para o Hospital Fêmina apresenta uma nomenclatura diferente dos pavimentos à adotada no artigo, sendo que o andar abaixo do espaço técnico é o "3º pavimento" e o andar acima é o "4º pavimento".

05. O termo "simplesmente carregada" é um jargão técnico usado para denominar uma enfermaria que possui quartos de um só lado do corredor de circulação, sendo que do outro normalmente se localizam os postos de enfermagem e os ambientes de apoio.

06. De acordo com as informações pesquisadas na página da web do próprio hospital consultada em 11/12/2018. Endereço: http://www.hijg.saude.sc.gov.br/index.php/institucional.

07. Em contraponto ao termo "simplesmente carregada", uma internação "duplamente carregada" é um jargão técnico usado para denominar uma enfermaria que possui quartos dos dois lados do corredor de circulação, ou que ocupam ambas as fachadas dos edifícios. Os postos de enfermagem e os ambientes de apoio podem ficar entre os quartos ou em uma faixa central do pavimento.



Referências bibliográficas


ALMEIDA, Guilherme de; BUENO, Marcos; DONADUSSI, Marcelo. Irineu Breitman: Exposição sobre a obra de um dos pioneiros da arquitetura moderna gaúcha. 2011. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.043/3825> Acesso em: 7 dez. 2018.

BLAYA, Marcello; BREITMAN, Irineu. Hospital Psiquiátrico Encarnación Blaya. Arquitetura, Rio de Janeiro, n. 35, p.18-19, 1965.

BLAYA, Marcello; BREITMAN, Irineu. Ante-projeto do Psiquiatrico Encarnación Blaya. Hospital de Hoje, São Paulo, n. 27, p.17-20, 1966.

BREITMAN, Irineu. Hospital Escola da Fundação Universidade de Passo Fundo. Revista IPH, São Paulo, n. 04, p.39-42, 2004.

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